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Anonymous asked:
como você se chama?

Beatriz.

cantura:

Ela também estava perdida,
E por isso se agarrava a mim também.
E eu me agarrava a ela,
Porque não tinha mais ninguém.

89
supergravitando:

e ainda espero…

valedodesastre:

Os últimos dias tem sido duros. Tem sido dificil  me mover. Cada palavra sai da minha boca e se move em direção ao espaço sideral. Nada me motiva, nada me alegra e nada me satisfaz. Tenho respirado só porque é necessário.  

O mundo é grande demais para se desbravar sozinha, mas é  uma coisa com a qual já me conformei. Não reclamo da solidão, - pelo contrário, nos até tornamos intimas. Reclamo da palidez da minha pele, dos dias que se arrastam, do amor que nunca vem, das madrugadas frias me arrastando pela casa esbarrando por essas paredes cuidadosamente pintadas de branco. Reclamo do nó na garganta sem motivo aparente, da nostalgia, da insatisfação, da falta de interesse por qualquer coisa, da falta de paciência e de carinho mas reclamo sobretudo da assustadora falta que sinto de algo que não sei o que é. Minh’alma reclama por algo que eu desconheço.

Em dias como esses fico a madrugada toda acordada enquanto todos dormem só pra poder dormir durante o dia, enquanto todos correm, vivem e morrem. Não tenho sentido vontade de argumentar, de perseguir, de farejar. Costumava dizer que nós morremos a partir do momento que deixamos de ser curiosos, deixamos de contestar. Sempre tive medo do conformismo e nunca aceitei a ideia de aceitar. Acho que morri há pouco. 

A felicidade anda passando tão longe de mim. Tão, tão, tão longe… Tenho poucas lembranças felizes, talvez de dez ou onze anos atrás.  Quando as coisas se tornavam amargas eu tentava me apegar a elas e me lembrar de que pelo menos uma vez na vida eu havia sido feliz. Eu não lembro que cheiro, que gosto e que cor a felicidade tem. Não lembro qual é a sensação. Talvez eu seja estragada desde o nascimento, e sei que não sou algo que possa se consertar. Talvez a felicidade não seja algo pra mim. Talvez eu não seja merecedora. 

O que tenho são memórias roubadas de sonhos, de delírios e de histórias contadas por terceiros. São fotografias nas quais não estou, são sorrisos que não dei, dias que não vivi, coisas que não provei, lábios que não beijei, planos que não concretizei, caminhos pelos quais não andei, vontades que nunca realizei, pessoas que nunca realmente amei, lugares pros quais nunca viajei… coisas que nunca presenciei.

Eu só sei que dói esperar por algo que nunca virá. Eu só sei que dói enfrentar tudo isso sozinha. Eu só sei que dói. 
Não sinto mais medo de perder pessoas e posses, afinal tudo vai virar esquecimento um dia. Já me conformei em viver sem coisas que deixei pelo caminho e que agora são irrecuperáveis. Pra estar onde estou eu tive que abrir mão de muitas coisas, inclusive do amor. Agora muito do que eu achava essencial já não me faz mais falta. A saudade tem sido algo que nem me incomoda mais. 

Espero a próxima parada pra descer do bonde da depressão. Embarcar em outro em que os sonhos, os amores e os dias sejam lindos, doces e cheios de esperança. Quero retomar o gosto pela vida e por tudo que eu sempre adorei. Quero voltar a habitar o meu próprio ser pois cansei de achar que encontrarei abrigo em outro alguém. Não existe outro alguém. Nunca existiu. Não existe porto seguro ou conforto em outros braços. Não existe o colo ideal, não existe o beijo perfeito e não existe o eterno romance. Nada disso existe. Fui tola ao pensar que alguém poderia me pegar pela mão e me tirar pra dançar. Fui tola ao pensar que um bom samaritano de bom coração poderia, de repente, me tirar dessa realidade feia e cinza. Fui tola pensar que lá fora, em algum lugar, existia alguém feito especialmente pra mim. Fui tola ao imaginar que alguém poderia me segurar, me amar e me ter. Fui mil vezes tola. 

Sou só eu, presa a toda a amargura, egoísmo e solidão que preenchem cada parte do meu pequeno e frágil corpo, fadada viver dia após dia sem o toque real da felicidade. Sou só eu, sucumbindo. Sou só eu, desistindo. Sou só eu, só. 

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Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas as vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser a outra pessoa para uma unificação inteira e um dos sentimentos mais urgentes que se tem da vida.

Clarice Lispector.  (via minuciar)

(Source: derr0-tado, via minuciar)